MANIFESTO ANTI-FASHION

Postado em 27/03/2015

      Será o fim da moda?!


       A pesquisadora de tendências, apontada pela revista Time, como uma das pessoas mais influentes do mundo da moda, Li Edelkoort, apresentou o Manifesto Anti- Fashion. Em seu manifesto, Li fala critica diversos aspectos atuais da moda, entre eles educação, estilistas, manufatura, varejo e publicidade. Ela acredita que antigamente havia muito mais ousadia, os grandes nomes propunham novidades e mudanças sociais e hoje, tudo que se vê são reutilizações de tendências passadas.

 

      Um dos exemplos da desvalorização da moda, seria o ‘fast-fashion’ que veio com a proposta de roupas baratas e qualidade inferior, que para Li, retrata o valor que a moda tem na sociedade atual: algo descartável, sem qualidade e sim quantidade. Sem que os estilistas exerçam a capacidade criativa e renovem o cenário da moda.

 

O manifesto segue 10 pontos, que se você prestar atenção, verá que envolve também todas os setores de consumo:

 

1. Educação:

Nas faculdades, ainda educamos os alunos para brilharem sozinhos, para serem estrelas disputadas por grandes marcas de luxo. Mas esquecemos que isso, na verdade, é a exceção. No século XXI esta realidade individualista está caindo por terra e o trabalho colaborativo faz muito mais sentido.

2. Materialização:

Ao cortarem drasticamente os custos, as grandes empresas de moda estão levando a indústria têxtil e a mão de obra artesanal à falência. Como resultado, as faculdades deixam de ensinar criação têxtil e conceitos básicos sobre tecidos. Ou seja, é uma bola de neve que pode levar à quase extinção dos trabalhos manuais. É mais um conhecimento que se perde.

3. Manufatura:

Com redes de abastecimento cada vez menores, o sistema precisou se reestruturar. Como? Recorrendo aos países de economia fraca. Assim, o lucro das marcas é ainda maior.

4. Preços:

Para a moda, quase tão grave quanto a mão de obra escrava é a mensagem que se passa com roupas tão baratas: “Compre, use e jogue fora, como se fosse uma camisinha”, diz Li. As pessoas acabam não “saboreando” o que compraram e, pior, isto ensina aos jovens consumidores que a moda não tem valor. A cultura da moda acaba sendo destruída.

5. Designers:

Os grandes nomes do passado mudavam a sociedade, pois introduziam novas silhuetas, novas posturas e novas formas de movimento. Lembra as ombreiras dos anos 80? Elas mudavam a forma como a mulher se mexia. Pois hoje, os designers só querem reciclar tendências do passado. “A energia deles está toda em criar bolsas e sapatos, a pedido do marketing. Eles quase não se preocupam com as roupas”, explica a pesquisadora.

6. Marketing:

Graças ao que ele se transformou, os produtos e a indústria são vistos só de uma perspectiva: a de como vender mais. Os designers são pressionados, produzindo coleção atrás de coleção, em busca de mais faturamento. Isto os esgota e mata a criatividade.

7. Publicidade:

“Os anúncios são repetitivos e fica difícil ler os valores da marca”, fala. Para piorar, as grandes publicações exibem em seus editoriais de moda exclusivamente as peças de grifes anunciantes. Como resultado, as pequenas (e novas) marcas nunca terão vez.

8. Imprensa e Blogs:

Editores de moda com conhecimento e repertório estão sendo substituídos por jovens escritores sem especialidade nem perspectiva crítica. “Eles generalizam e dão opiniões, ao invés de críticas profissionais”.

9. Varejo:

Não acompanhou a mudança dos tempos.

10. Consumidor:

“Os consumidores de hoje e de amanhã vão escolher sozinhos, criando e até desenhando o que vestem. Sem contar que Silicon Valley deu origem à primeira geração de super-ricos que não ligam para moda”, defende. A moda não vai recuperá-los. “Mas, vamos, sim, falar cada vez mais de roupas e é a elas que devemos levantar um brinde”, conclui.

Publicado em: Cultura

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